Dilemas de conduta: pesquisa mostra que os maiores riscos éticos estão nas “zonas cinzentas” das empresas

30 de julho de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Conflitos de interesse, assédio moral e recebimento de presentes estão entre os principais dilemas éticos enfrentados nas empresas brasileiras, segundo o estudo Atlas PIR – Dilemas da Integridade no Brasil 

O levantamento, realizado pela S2 Consultoria com mais de 48 mil profissionais de 449 empresas e 13 setores econômicos, mostra que os maiores riscos corporativos nem sempre estão associados a fraudes ou corrupção explícita, mas a situações cotidianas em que os limites da conduta podem parecer menos claros. 

Conflitos de interesse lideram os riscos éticos nas empresas 

Segundo o levantamento, os três dilemas mais frequentes são: 

  1. Conflitos de interesse: 18,2% 
  2. Assédio moral: 16,9% 
  3. Recebimento de presentes: 15,1% 

Em contrapartida, práticas tradicionalmente associadas à corrupção, como desvio de recursos (1%) e sonegação de impostos (0,4%), apresentaram índices significativamente menores. 

De acordo com os pesquisadores, esse comportamento ocorre porque situações conhecidas como “zonas cinzentas da integridade” costumam gerar menor resistência moral. São decisões que podem ser racionalizadas no dia a dia, favorecendo pequenas flexibilizações que, quando repetidas, acabam sendo incorporadas à cultura organizacional. 

Os riscos variam conforme a função e o setor 

Entre profissionais operacionais, o assédio moral apareceu como a principal vulnerabilidade (23,3%), seguido por conflitos de interesse (21,8%) e recebimento de presentes (16,8%). 

Já entre profissionais em posições táticas, o vazamento de informações foi apontado como o principal dilema de integridade, evidenciando o crescimento da preocupação com a governança da informação e a proteção de dados. 

A análise setorial também revelou particularidades. O comércio e o varejo apresentaram os maiores índices de vulnerabilidade relacionados ao assédio moral (29,9%), enquanto os setores de saúde (23,9%) e indústria (22,4%) registraram maior incidência de conflitos de interesse. 

Os resultados mostram que programas de integridade tendem a ser mais efetivos quando consideram os riscos específicos de cada público, em vez de adotar ações padronizadas para toda a organização. 

Assédio moral no centro da agenda regulatória 

O destaque dado ao assédio moral na pesquisa dialoga com recentes transformações vividas pelas empresas. 

Em 2026, os riscos psicossociais passaram a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), tornando obrigatória a identificação e adoção de medidas para prevenir fatores organizacionais que comprometem a saúde mental. O descumprimento das exigências pode resultar em penalidades previstas na fiscalização trabalhista. 

Esse movimento se soma às mudanças promovidas pela Lei nº 14.457, de 2022, que ampliou o papel da CIPA – agora denominada Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio – ao atribuir às empresas responsabilidades relacionadas à prevenção e ao enfrentamento do assédio moral, sexual e psicológico.  

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Cultura ética depende de prevenção, não apenas de regras 

Os dados reforçam que códigos de ética e políticas de conduta, embora fundamentais, não são suficientes para fortalecer uma cultura de integridade. 

Situações como aceitar um presente de um fornecedor, participar de uma decisão em que exista interesse pessoal ou adotar comportamentos que possam caracterizar assédio moral nem sempre são percebidas como violações evidentes.  

Por isso, treinamentos contínuos, comunicação clara e o exemplo das lideranças tornam-se elementos essenciais para orientar a tomada de decisão diante desses dilemas.

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