A decisão dos Estados Unidos em classificar os grupos criminosos Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas colocou no radar das empresas brasileiras um novo fator de atenção em governança e gestão de risco.
Embora a medida tenha o objetivo combater o crime organizado, esse movimento deve elevar exigências em processos de compliance, due diligence e monitoramento, especialmente para empresas e operações com exposição internacional.
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Gestão de risco: o que muda para empresas com exposição internacional
A nova classificação amplia a necessidade de empresas com exposição internacional demonstrar conhecimento sobre quem participa da operação e como os recursos circulam ao longo da cadeia.
Na prática, isso significa reforçar processos para mapear:
- Beneficiários finais e estruturas societárias;
- Fornecedores e distribuidores;
- Prestadores de serviço e parceiros comerciais;
- Movimentações e operações atípicas;
Em um ambiente com controles mais rigorosos, falhas na identificação ou no monitoramento dessas conexões podem ampliar riscos regulatórios e financeiros.
Quais setores exigem atenção adicional na gestão de riscos
Além das exigências de controle, cresce também a preocupação com os riscos comerciais.
Empresas vistas como mais vulneráveis a falhas na prevenção à lavagem de dinheiro ou ao financiamento de organizações terroristas podem enfrentar restrições em linhas de financiamento, redução de limites transacionais e encerramento de relações comerciais.
Entre os segmentos mais expostos ao risco, estão:
- Instituições financeiras;
- Logística e armazenagem;
- Operações portuárias e aeroportuárias;
- Combustíveis;
- Mercado imobiliário;
- Varejo atacadista;
- Agronegócio;
- Segurança privada;
Isso porque, diferentemente dos regimes tradicionais de sanções, o enquadramento ligado ao terrorismo amplia o foco sobre conexões indiretas.
Para operadores portuários, aeroportuários e empresas de logística, por exemplo, o trânsito de uma carga inadequadamente inspecionada pode ser enquadrado como facilitação a uma organização terrorista.
O impacto também pode alcançar pessoas físicas
Os efeitos da medida não se limitam apenas ao ambiente corporativo.
A classificação também levanta possíveis reflexos sobre vistos, viagens internacionais e processos migratórios em situações que exijam validações adicionais ou análises mais aprofundadas de vínculo e exposição.
Gestão de riscos e proteção caminham juntas
Em um cenário de maior integração entre mercados, operações e intermediários, a exposição ao risco está diretamente ligada ao contexto e a maneira como a cadeia de relacionamento é estruturada e monitorada.
Reduzir a exposição ao risco passa por fortalecer mecanismos e estruturas de compliance que garanta a capacidade de identificar e mitigar vulnerabilidades de maneira integrada.


