Planos de saúde coletivos: ANS aponta continuidade da desaceleração dos reajustes em 2026

20 de maio de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Os reajustes dos planos de saúde coletivos iniciaram 2026 em ritmo menor do que no ano anterior.  

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o reajuste médio aplicado aos contratos coletivos médico-hospitalares foi de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, abaixo da média registrada em 2025, de 10,76% 

A agência afirma que o resultado sinaliza a continuidade de uma tendência de desaceleração iniciada em 2024. 

Como funcionam os reajustes dos planos coletivos? 

Diferentemente dos planos individuais ou familiares, os planos coletivos não possuem teto de reajuste definido pela ANS. Os percentuais são aplicados pelas operadoras conforme as regras contratuais e a variação dos custos assistenciais observados em cada carteira ou grupo de beneficiários.  

Na prática, os índices variam conforme fatores como custos médico-hospitalares, utilização dos serviços e características dos contratos. 

Leia também: 

– Planos empresariais e o reajuste por sinistralidade 

– Benefícios de Saúde: 5 gargalos que estão elevando custos nas empresas 

Contratos pequenos seguem com reajustes mais altos 

O porte do contrato influencia diretamente a forma de reajuste. 

Nos planos com menos de 30 vidas, os reajustes seguem a regra de agrupamento de contratos, mecanismo no qual contratos de pequeno porte são reunidos para definição do percentual anual.  

Segundo a ANS, esse grupo registrou reajuste médio de 14,24% em 2025, quase cinco pontos percentuais acima dos contratos com 30 vidas ou mais, cuja média foi de 9,62%. O padrão se manteve nos primeiros meses de 2026. 

Já nos contratos com 30 vidas ou mais, o reajuste é negociado diretamente entre operadora e contratante, considerando as condições do contrato e os custos observados. 

E os planos odontológicos? 

Nos planos exclusivamente odontológicos, a ANS observou um cenário mais estável. O reajuste médio foi de 3,27% em 2025 e de 3,44% nos dois primeiros meses de 2026, mantendo um padrão de estabilidade registrado desde 2023.  

Nesse segmento, os contratos com menos de 30 vidas registraram reajustes médios superiores aos de maior porte, mas, diferente dos planos médico-hospitalares, não seguem a regra de agrupamento de contratos. 

Como a ANS acompanha os reajustes? 

Os dados fazem parte do Painel de Reajuste de Planos Coletivos (RPC), ferramenta que permite acompanhar percentuais por critérios como: 

  • tipo de contratação;  
  • porte do contrato;  
  • modalidade;  
  • porte da operadora;  
  • consultas individualizadas por operadora.  

As informações são alimentadas pelo conjunto de dados “Reajuste de Planos Coletivos”, disponível no Portal Brasileiro de Dados Abertos, com atualização trimestral após o envio das informações pelas operadoras. O painel reúne contratos regulamentados pela Lei nº 9.656/98 com preço preestabelecido. 

O que os dados mostram para os planos corporativos? 

Segundo Márcio Tosi, vice-presidente de Benefícios Corporativos da Acrisure, o cenário de 2026 reflete o reequilíbrio das operadoras após a pressão observada no pós-pandemia. 

“As projeções da Acrisure indicam reajustes entre 6% e 7% nos planos corporativos em 2026, em um cenário de relativa estabilidade, semelhante ao observado em 2025”, afirma. 

Para Tosi, medidas de controle de custos adotadas nos últimos anos – como maior rigor em reembolsos, coparticipação e combate a fraudes – devem permanecer, ajudando a sustentar reajustes mais moderados.  

Ainda assim, ele alerta que momentos de estabilidade exigem acompanhamento contínuo, já que ciclos de menor pressão podem anteceder novos aumentos no setor.

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