El Niño 2026: fenômeno acende alerta para gestão de riscos no Brasil

09 de junho de 2026

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

O retorno do El Niño em 2026 está cada vez mais próximo de se concretizar. Segundo a atualização mais recente da Organização Meteorológica Mundial (WMO), existe 80% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer entre junho e agosto deste ano. As projeções indicam ainda mais de 90% de chance de sua permanência até pelo menos novembro. 

Associado ao aumento das temperaturas globais e à maior ocorrência de eventos climáticos extremos, o El Niño pode provocar alterações significativas nos regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil. 

Embora ainda exista incerteza sobre sua intensidade, os modelos climáticos apontam para um evento de, no mínimo, intensidade moderada. O cenário reforça a importância do monitoramento contínuo e do planejamento preventivo para antecipar riscos e reduzir possíveis impactos sobre operações, patrimônio e cadeias de suprimentos. 

O que é o El Niño e como ele se forma 

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele faz parte de um ciclo natural do clima conhecido como ENSO (El Niño-Oscilação Sul), que alterna entre fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras. 

Essas variações afetam a circulação atmosférica, alterando a distribuição de calor e umidade e influenciando os padrões climáticos em diversas regiões do mundo. 

Como sua intensidade e duração variam a cada ocorrência, os efeitos observados também podem ser diferentes de um ciclo para outro. 

No Brasil, os impactos variam conforme a região 

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, os efeitos do El Niño não ocorrem de maneira uniforme. Historicamente, o fenômeno está associado a: 

  • aumento do volume e da intensidade das chuvas na Região Sul; 
  • redução das chuvas no Norte e em partes do Nordeste; 
  • ondas de calor e períodos de baixa umidade no Sudeste e no Centro-Oeste. 

Esses efeitos podem aumentar a ocorrência de enchentes, deslizamentos, secas, incêndios florestais e outros eventos capazes de afetar comunidades, infraestrutura e atividades econômicas. 

Durante o ciclo mais recente, entre 2023 e 2024, o Brasil enfrentou uma das secas mais extensas já registradas. Segundo dados divulgados pelo Greenpeace, cerca de 80% dos municípios brasileiros apresentaram algum grau de estiagem. 

Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul sofreu a maior enchente de sua história. A tragédia resultou da combinação de diversos fatores climáticos, entre eles a influência de um episódio intenso de El Niño. 

Leia também: 

– Rio Grande do Sul, um ano depois: desafios e aprendizados na regulação de sinistros pós-enchente

– O que o mercado precisa entender com a alta de riscos ambientais

Os riscos climáticos que impactam as empresas 

Além dos efeitos ambientais, eventos climáticos extremos representam riscos cada vez mais relevantes para organizações de todos os setores. Entre os principais impactos estão: 

  • danos a instalações, equipamentos e estoques causados por inundações, tempestades e incêndios florestais; 
  • interrupções operacionais decorrentes de condições climáticas severas; 
  • dificuldades logísticas e problemas de abastecimento; 
  • aumento dos custos de recuperação, reconstrução e retomada das atividades; 
  • impactos em fornecedores e cadeias produtivas localizadas em áreas vulneráveis. 

Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), 67 eventos climáticos relevantes registrados entre 2022 e 2024 geraram prejuízos estimados em R$ 184 bilhões no Brasil. 

À medida que eventos extremos se tornam mais frequentes e intensos, o risco climático passa a fazer parte da agenda estratégica das empresas. 

Eventos extremos exigem gestão de riscos 

Embora não seja possível evitar a ocorrência de fenômenos climáticos, seus impactos podem ser reduzidos por meio de uma gestão de riscos estruturada. 

Mapear vulnerabilidades, monitorar cenários climáticos, revisar planos de contingência, avaliar coberturas securitárias e fortalecer estratégias de continuidade de negócios são medidas que ajudam empresas a aumentar sua resiliência diante de eventos cada vez mais frequentes e imprevisíveis. 

A Organização Meteorológica Mundial destaca que o momento para planejamento e preparação é agora. Em um cenário de maior probabilidade de eventos extremos, organizações capazes de antecipar riscos e responder rapidamente a situações críticas tendem a reduzir perdas financeiras, proteger seus ativos e preservar a continuidade de suas operações.

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