Alta da inadimplência no agro reforça importância da gestão de riscos

25 de junho de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde no ciclo 25/26, com aproximadamente 358,6 milhões de toneladas de grãos.  

No entanto, mesmo diante desse desempenho, os indicadores financeiros mostram um cenário que merece atenção. Dados divulgados pela Serasa Experian indicam que a inadimplência no agronegócio atingiu 8,2% no último ano. 

Em um contexto de crédito seletivo, juros elevados e pressão sobre margens, a gestão de riscos se consolida como ferramenta estratégica para orientar decisões, preservar liquidez e sustentar o crescimento sustentável no campo. 

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Produção elevada não elimina pressão sobre fluxo de caixa 

Embora o aumento do volume da safra de grãos sustente perspectivas positivas, o fluxo de caixa do produtor rural segue pressionado por fatores financeiros. 

Entre os principais pontos que ajudam a explicar esse cenário estão: 

  • Aumento de custos operacionais; 
  • Oscilações nos preços das commodities; 
  • Juros elevados; 
  • Condições de crédito mais restritivas. 

Além de elevar despesas ao longo da cadeia, o cenário geopolítico recente trouxe impactos adicionais sobre custos e ampliou a volatilidade de mercado. Ao mesmo tempo, preços menos favoráveis para commodities como a soja reduziram margens em parte das operações. 

Efeitos da inadimplência na estrutura de risco 

O avanço da inadimplência não se limita ao atraso no cumprimento de obrigações financeiras. Ele sinaliza alterações relevantes na estrutura de risco dos negócios. 

Em ambientes como o agro, em que o retorno do capital ocorre em ciclos mais longos, variações nas condições de crédito ampliam a sensibilidade das operações e aceleram efeitos em cadeia sobre o fluxo financeiro. 

Recuperação judicial como reflexo do estresse financeiro no agronegócio 

Os pedidos de recuperação judicial ajudam a dimensionar as dificuldades enfrentadas no campo.  

No primeiro trimestre deste ano, a agropecuária registrou 539 empresas em recuperação judicial, alta de 9,3% em relação ao quarto trimestre de 2025, o maior avanço entre os principais setores da economia. 

Na análise regional, o Centro-Oeste apresentou crescimento de 5,5% no volume de pedidos, com destaque para Mato Grosso, que avançou 13,2% no trimestre. O desempenho reflete a elevada exposição da região ao agronegócio e às cadeias produtivas associadas. 

O papel da gestão de riscos como instrumento de resiliência 

O avanço da inadimplência no crédito rural vai além de um indicador estatístico. O movimento também oferece sinais importantes sobre maior exposição financeira, capacidade de adaptação e níveis de maturidade na condução dos negócios. 

Em cenários mais voláteis, a gestão de riscos se conecta à capacidade de reconhecer vulnerabilidades, avaliar impactos e responder às mudanças do cenário com agilidade. 

Nesse contexto, estruturas mais robustas de análise e mitigação de riscos, como as utilizadas na gestão corporativa de riscos, são fundamentais para a sustentação das operações ao longo dos ciclos. 

 

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