A utilização dos planos de saúde continuou em alta no Brasil em 2025. É o que mostra a edição mais recente do Mapa Assistencial da Saúde Suplementar, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que registrou 2 bilhões de procedimentos realizados por beneficiários no período.
Na comparação com 2024, o volume total cresceu 3,7%, movimento que ajuda a dimensionar a pressão sobre a operação das operadoras e, principalmente, sobre a gestão de custos assistenciais.
Mas os dados do Mapa também reforçam um ponto importante para as empresas: o impacto financeiro da saúde suplementar não depende apenas da quantidade de atendimentos, e sim do perfil de utilização e da participação de eventos de maior complexidade nas despesas.
Mapa Assistencial 2025: quais foram os principais volumes de utilização
O levantamento da ANS reúne indicadores de produção assistencial da saúde suplementar e permite acompanhar a evolução do uso de serviços médico-hospitalares e odontológicos. Em 2025, os principais volumes registrados foram:
- Exames ambulatoriais: 1,23 bilhão de procedimentos;
- Consultas médicas: 288,7 milhões de atendimentos;
- Procedimentos odontológicos: 193,8 milhões;
- Terapias ambulatoriais: 71,8 milhões de procedimentos;
- Internações: 9,9 milhões de registros.
Os exames ambulatoriais seguiram como o grupo mais representativo da saúde suplementar, respondendo por mais de 60% do total de procedimentos realizados. A média chegou a 23,5 exames por beneficiário, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019.
Na sequência aparecem as consultas médicas, com 288,7 milhões de atendimentos, e os procedimentos odontológicos, que continuam entre os eventos de maior volume no setor.
O comportamento desses grupos ajuda a mostrar que a utilização dos planos segue elevada, mas distribuída de forma desigual entre atendimentos de rotina, prevenção, diagnóstico e eventos de maior complexidade.
Internações seguem com o maior peso sobre as despesas assistenciais
Embora representem apenas 0,49% do total de procedimentos realizados em 2025, as internações concentraram 41,9% das despesas assistenciais da saúde suplementar.
O dado é um dos mais relevantes do Mapa Assistencial porque mostra que a pressão sobre os custos não está necessariamente ligada ao volume absoluto de utilização. Em outras palavras, nem todo procedimento pesa da mesma forma sobre a despesa assistencial. Eventos de maior complexidade, maior permanência hospitalar e maior custo unitário – como as internações – tendem a concentrar uma parcela muito mais significativa do gasto total.
Além disso, as internações registraram crescimento de 8,9% em relação a 2024, o maior avanço proporcional entre os principais grupos monitorados pela ANS.
Para empresas que oferecem plano de saúde aos funcionários, esse movimento merece atenção porque pode sinalizar maior uso de atendimentos hospitalares e procedimentos de alto custo, com impacto direto sobre a sinistralidade e os reajustes futuros.
Crescem os atendimentos de maior complexidade
Os dados do Mapa Assistencial também indicam avanço de procedimentos associados a quadros de maior complexidade clínica. As internações por neoplasias cresceram 15,7% em 2025, com destaque para casos relacionados a câncer de próstata, mama e colo do útero.
As internações cirúrgicas também aumentaram, com alta de 11,8% em relação ao ano anterior, impulsionadas principalmente por procedimentos ligados a doenças cardiovasculares.
Esse comportamento sugere uma combinação de fatores que costuma pressionar os custos assistenciais: envelhecimento da população beneficiária, maior utilização de terapias e procedimentos de alta complexidade e continuidade do tratamento de doenças crônicas e oncológicas.
Embora o Mapa Assistencial não esgote as causas por trás desse movimento, ele oferece um sinal importante sobre o perfil da demanda que vem sendo absorvida pelos planos de saúde.
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Mudanças no perfil de utilização ambulatorial também entram no radar
Além do crescimento das internações e dos atendimentos de maior complexidade, o Mapa Assistencial mostra mudanças no perfil de utilização ambulatorial. As consultas em clínica médica recuaram 20,4% em relação a 2024, embora a especialidade tenha permanecido como a mais procurada entre os beneficiários de planos de saúde.
Esse tipo de variação não deve ser lido de forma isolada, mas como parte de um conjunto maior de transformações na jornada assistencial.
Mudanças no acesso a especialidades, no perfil etário dos beneficiários, na demanda por acompanhamento contínuo e no uso de serviços diagnósticos e terapêuticos podem alterar a distribuição dos atendimentos sem necessariamente reduzir a pressão sobre os custos.
O que os dados da ANS indicam para a gestão de benefícios
O Mapa Assistencial ajuda a entender quais tipos de atendimento estão puxando a despesa da saúde suplementar e quais tendências merecem atenção na gestão do benefício.
Para as empresas, a leitura dos dados reforça alguns pontos importantes:
- volume não é sinônimo de custo: exames, consultas e procedimentos odontológicos concentram grande parte dos atendimentos, mas não necessariamente representam o principal foco de pressão financeira;
- internações e eventos de maior complexidade têm peso desproporcional nas despesas, o que exige atenção ao perfil de uso e não apenas ao número total de procedimentos;
- o avanço de internações por neoplasias e procedimentos cirúrgicos pode indicar maior demanda por cuidado especializado, coordenação assistencial e acompanhamento de condições crônicas;
- analisar a utilização de forma segmentada ajuda a qualificar decisões sobre desenho do benefício, programas de prevenção, gestão de saúde populacional e estratégias de negociação com operadoras.
Na prática, o Mapa Assistencial reforça que a gestão de benefícios em saúde precisa ir além do acompanhamento da sinistralidade consolidada. Entender onde estão os principais vetores de custo, quais eventos concentram maior complexidade e como o perfil de utilização está mudando ao longo do tempo é parte central de uma estratégia mais sustentável para o benefício saúde.


