As internações por asma cresceram 63% no Brasil entre 2020 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. O avanço ocorre em um período de maior circulação de vírus respiratórios e acende um alerta também para a saúde suplementar, já que hospitalizações estão entre os eventos de maior impacto financeiro para operadoras e planos de saúde.
Embora seja uma doença crônica que pode ser controlada na maioria dos casos, a asma ainda leva milhares de pessoas aos serviços de urgência. O cenário reforça a importância do diagnóstico precoce, da adesão ao tratamento e do acompanhamento contínuo para evitar agravamentos e reduzir internações potencialmente evitáveis.
Maior circulação de vírus aumenta o risco de crises de Asma
A asma afeta cerca de 20 milhões de brasileiros e permanece entre as doenças respiratórias crônicas mais prevalentes do país. Entre adultos, o Brasil ocupa a quinta posição em prevalência na América do Sul (4,6%). Entre crianças, esse índice chega a 12,1%, o segundo maior da região.
O aumento das internações também ocorre em um contexto de maior circulação de vírus respiratórios. Dados recentes sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mostram crescimento de infecções causadas por Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e rinovírus. Esses agentes podem desencadear crises de asma e agravar o quadro de pacientes com a doença.
Além dos fatores sazonais, especialistas apontam que diagnóstico tardio, baixa adesão ao tratamento e uso inadequado de medicamentos inalatórios continuam entre os principais desafios para o controle da asma.
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Hospitalizações concentram a maior parte dos custos assistenciais
O aumento das internações também merece atenção sob a perspectiva da saúde suplementar.
Segundo o Mapa Assistencial 2025 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os beneficiários de planos de saúde realizaram aproximadamente 2 bilhões de procedimentos no último ano. Apesar de as internações representarem apenas 0,49% desse total, elas responderam por 41,9% das despesas assistenciais.
Embora o levantamento não trate especificamente da asma, ele evidencia um ponto importante para empresas e operadoras: reduzir hospitalizações evitáveis é uma das principais estratégias para controlar custos e tornar o benefício mais sustentável.
No ambiente de trabalho, crises frequentes podem aumentar a procura por pronto atendimento, elevar o número de afastamentos temporários e impactar a produtividade, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios.
Novo protocolo para Asma amplia estratégias de cuidado
Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde publicou uma nova versão do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da asma, que revisa recomendações para diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Entre as mudanças estão a ampliação das opções terapêuticas para pacientes com asma grave, incluindo novos medicamentos imunobiológicos.
Na saúde suplementar, a ANS também vem promovendo atualizações no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, ampliando a cobertura de terapias imunobiológicas para pacientes com asma.
Embora o PCDT e o Rol tenham finalidades distintas, ambos caminham na mesma direção. Eles ampliam o acesso a tratamentos e favorecer um cuidado mais individualizado.
Prevenção continua sendo a melhor estratégia
Apesar dos avanços terapêuticos, especialistas destacam que o controle da asma depende, sobretudo, da prevenção e da continuidade do cuidado.
Para as empresas, fortalecer programas de gestão de doenças crônicas representa uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e tornar a utilização dos planos de saúde mais eficiente. Investir em prevenção e coordenação do cuidado ajuda a reduzir eventos de alta complexidade, minimizar afastamentos e contribuir para uma gestão mais sustentável do benefício.
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