El Niño: a importância da gestão de riscos diante de eventos climáticos extremos

21 de outubro de 2026

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

A intensificação dos riscos climáticos tem colocado a resiliência operacional no centro das discussões corporativas, reforçando a necessidade de revisar planos de continuidade, gestão de riscos e proteção patrimonial.  

A preocupação ganha força com as projeções para o El Niño 2026-2027. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno deve persistir até fevereiro de 2027, elevando o potencial de impactos sobre operações, infraestrutura e cadeias de suprimentos. 

Nesse cenário, a capacidade de recuperação após um desastre passa a ser tão importante quanto a prevenção. No Brasil, porém, apenas 9% das perdas econômicas provocadas por eventos climáticos contam com cobertura, segundo o relatório da Superintendência de Seguros Privados (Susep). 

Como a baixa cobertura amplia a exposição das empresas aos riscos climáticos 

Os dados revelam que grande parte dos prejuízos causados por desastres naturais no Brasil permanece sem cobertura securitária. A diferença entre as perdas econômicas registradas e os valores efetivamente indenizados é conhecida como lacuna de proteção. 

Nesse contexto, uma lacuna elevada indica maior exposição a riscos causados por eventos climáticos extremos, que pode se refletir em diferentes frentes, como: 

  • Danos a imóveis, equipamentos e estoques; 
  • Interrupções operacionais; 
  • Atrasos logísticos; 
  • Rupturas na cadeia de suprimentos; 

Quando não há uma estratégia de proteção adequada, esses impactos podem prolongar o tempo necessário para restabelecer as operações, pressionar o fluxo de caixa e aumentar os custos do processo. 

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Impactos econômicos dos eventos climáticos extremos  

Os eventos climáticos extremos já representam uma fonte relevante de perdas econômicas em diferentes regiões do mundo. Segundo levantamento da resseguradora Munich Re, as catástrofes naturais provocaram aproximadamente US$ 112 bilhões em perdas econômicas globais apenas no primeiro semestre de 2026. 

Entre os principais fenômenos estão os terremotos na Venezuela, incêndios florestais nos Estados Unidos e as ondas de calor na Europa, com temperaturas ultrapassando 40ºC. 

No Brasil, os efeitos desse cenário também já são conhecidos. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 provocaram perdas econômicas estimadas em aproximadamente R$ 90 bilhões, segundo levantamento citado pela Susep. 

Além dos danos materiais, eventos dessa magnitude podem gerar impactos que se estendem muito além das áreas diretamente atingidas. Interrupções logísticas, paralisações operacionais e dificuldades de abastecimento mostram como toda a cadeia produtiva pode ser afetada, reforçando a importância da gestão de riscos. 

Como fortalecer a resiliência diante dos riscos climáticos 

Embora não seja possível evitar eventos climáticos extremos, é possível adotar medidas para reduzir vulnerabilidades e acelerar a recuperação da operação quando eles ocorrem. 

Entre os pontos que merecem atenção estão: 

  • Identificação dos ativos mais expostos a riscos climáticos; 
  • Revisão dos planos de continuidade dos negócios; 
  • Avaliação da dependência de fornecedores e rotas logísticas críticas; 
  • Definição de protocolos de resposta a crises; 
  • Revisão periódica das coberturas e soluções de proteção contratadas. 

O objetivo não é apenas minimizar perdas, mas garantir que a operação tenha capacidade de responder e se recuperar com mais rapidez diante de possíveis cenários adversos. 

El Niño pode ampliar desafios para empresas no segundo semestre 

As projeções climáticas indicam a formação de um El Niño de alta intensidade, devendo se estender pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.  

O fenômeno pode elevar o risco de secas e incêndios florestais em regiões como Austrália, América Central e sudoeste da África. Já no Brasil, o cenário é de dois extremos: seca e risco de fogo no centro-norte, e chuva acima da média, com risco de cheias, no Sul.  

Além disso, as temperaturas devem ficar acima da faixa normal em quase todo o país. Esses padrões representam tendências sazonais e os impactos em cada local dependem da evolução das condições meteorológicas. 

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