A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde no ciclo 25/26, com aproximadamente 358,6 milhões de toneladas de grãos.
No entanto, mesmo diante desse desempenho, os indicadores financeiros mostram um cenário que merece atenção. Dados divulgados pela Serasa Experian indicam que a inadimplência no agronegócio atingiu 8,2% no último ano.
Em um contexto de crédito seletivo, juros elevados e pressão sobre margens, a gestão de riscos se consolida como ferramenta estratégica para orientar decisões, preservar liquidez e sustentar o crescimento sustentável no campo.
Leia também:
Produção elevada não elimina pressão sobre fluxo de caixa
Embora o aumento do volume da safra de grãos sustente perspectivas positivas, o fluxo de caixa do produtor rural segue pressionado por fatores financeiros.
Entre os principais pontos que ajudam a explicar esse cenário estão:
- Aumento de custos operacionais;
- Oscilações nos preços das commodities;
- Juros elevados;
- Condições de crédito mais restritivas.
Além de elevar despesas ao longo da cadeia, o cenário geopolítico recente trouxe impactos adicionais sobre custos e ampliou a volatilidade de mercado. Ao mesmo tempo, preços menos favoráveis para commodities como a soja reduziram margens em parte das operações.
Efeitos da inadimplência na estrutura de risco
O avanço da inadimplência não se limita ao atraso no cumprimento de obrigações financeiras. Ele sinaliza alterações relevantes na estrutura de risco dos negócios.
Em ambientes como o agro, em que o retorno do capital ocorre em ciclos mais longos, variações nas condições de crédito ampliam a sensibilidade das operações e aceleram efeitos em cadeia sobre o fluxo financeiro.
Recuperação judicial como reflexo do estresse financeiro no agronegócio
Os pedidos de recuperação judicial ajudam a dimensionar as dificuldades enfrentadas no campo.
No primeiro trimestre deste ano, a agropecuária registrou 539 empresas em recuperação judicial, alta de 9,3% em relação ao quarto trimestre de 2025, o maior avanço entre os principais setores da economia.
Na análise regional, o Centro-Oeste apresentou crescimento de 5,5% no volume de pedidos, com destaque para Mato Grosso, que avançou 13,2% no trimestre. O desempenho reflete a elevada exposição da região ao agronegócio e às cadeias produtivas associadas.
O papel da gestão de riscos como instrumento de resiliência
O avanço da inadimplência no crédito rural vai além de um indicador estatístico. O movimento também oferece sinais importantes sobre maior exposição financeira, capacidade de adaptação e níveis de maturidade na condução dos negócios.
Em cenários mais voláteis, a gestão de riscos se conecta à capacidade de reconhecer vulnerabilidades, avaliar impactos e responder às mudanças do cenário com agilidade.
Nesse contexto, estruturas mais robustas de análise e mitigação de riscos, como as utilizadas na gestão corporativa de riscos, são fundamentais para a sustentação das operações ao longo dos ciclos.


