Como é feita a negociação do reajuste do plano de saúde?

03 de novembro de 2021

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

O plano de saúde representa uma fatia considerável do orçamento das empresas que oferecem esse benefício aos colaboradores. Um dos motivos para o seu custo elevado é o reajuste anual, que sofre alterações de acordo com a variação de alguns fatores – falaremos sobre eles daqui a pouco.

Nos planos coletivos com mais de 30 beneficiários, o percentual de aumento da mensalidade é um acordo estabelecido entre a operadora e a organização, levando em conta o uso dos serviços médicos e hospitalares. Por isso, no momento da renovação do contrato é fundamental que as empresas busquem formas de negociar.

Os reajustes dos planos empresariais

Com o objetivo de garantir a continuidade e qualidade dos serviços, os preços dos planos de saúde podem sofrer até três tipos de reajustes. Um deles é o aumento por faixa etária, que ocorre conforme a variação da idade dos beneficiários. Essa correção só pode ser aplicada nas faixas autorizadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Outro é o chamado reajuste financeiro, que tem como base – na sua maioria – a inflação dos custos médicos e hospitalares (VCMH). O índice é apurado por cada uma das operadoras de saúde e considera os preços unitários de produtos e serviços, pagos aos seus fornecedores. Ele considera, também, o volume de utilização (frequência) desses itens dentro de um período pré-estabelecido em contrato, geralmente de 12 meses.

Nos contratos empresariais, há ainda o reajuste técnico, conhecido como reajuste por sinistralidade. Ele é aplicado quando os gastos com a utilização dos serviços foram maiores do que o limite previsto na apólice. Em outras palavras, quanto mais o plano de saúde é utilizado, mais a taxa de sinistralidade sobe. E quem paga essa conta é a empresa.

Hábitos impactam o custo do plano de saúde

A utilização desregulada do plano é um dos grandes problemas que afetam o aumento dos custos com saúde suplementar. Muitas pessoas buscam auxílio médico só quando estão com problemas iminentes, deixando de lado os cuidados com a saúde física e mental. Então, quando vão ao médico, a probabilidade de maior gasto é notória. A realização de exames e consultas em excesso, além do uso indiscriminado do pronto-socorro, também causam prejuízos alarmantes ao setor.

Em certa medida, o controle da sinistralidade está nas mãos das empresas e do RH. Educar o colaborador, no sentido de conscientizá-lo sobre a importância de estar em dia com os exames preventivos, manter hábitos de vida saudáveis e usar o benefício com responsabilidade, poderia evitar uma parcela dos serviços utilizados – reduzindo os custos, por consequência.

Se possível, é interessante que a empresa conte com uma consultoria para monitorar e analisar os relatórios de sinistralidade. O cenário de utilização dos benefícios traz informações ocultas e importantes para a gestão. Além de auxiliar em assuntos relacionados ao contrato do plano de saúde ou seguro, profissionais capacitados poderão oferecer sugestões para a correção de desvios e participar estrategicamente do processo de negociação do reajuste.

Negociação do reajuste do plano de saúde empresarial

Ainda no início deste artigo, comentamos que o reajuste anual dos planos com 30 beneficiários ou mais é estabelecido a partir da relação comercial entre o contratante e a operadora. Como existe um grupo maior de pessoas envolvidas na contratação, há mais espaço para negociação entre as partes.

A verdade é que o RH precisa reduzir custos. Mas, como fazer isso sabendo que o plano de saúde é o benefício mais valorizado pelos funcionários? Será necessário conciliar ainda mais os interesses dos colaboradores e da empresa, tendo todas as informações para a melhor negociação com a operadora.

Para isso, o processo de renovação deve ser estruturado e começar com antecedência, como conta a gerente de negociações na It’sSeg, Samara de Carvalho:

“Começamos as tratativas de renovação 150 dias antes do aniversário do contrato, data em que acontecerá o reajuste contratual. Dessa forma, conseguimos estruturar uma estratégia apoiada por argumentos técnicos, a fim de atender as necessidades reais do cliente e manter o contrato saudável.”

Vale lembrar que, caso haja interesse em mudar de plano, será preciso notificar o cancelamento dentro do prazo estabelecido na cláusula de rescisão. Então, com planejamento, é possível fazer a troca e cumprir o aviso prévio.

“Vamos analisar o contrato do cliente, os indicadores de utilização do benefício e as taxas de sinistralidade do último ano. Idealmente com 120 dias de antecedência, teremos o relatório dos principais componentes em desequilíbrio, como a existência de hiper consultadores, e as estimativas de reajuste”, continua Samara.

Esse relatório permite que o RH tenha uma ampla visão dos cenários e possa fazer sua escolha com embasamento. Pois, é neste momento que ele decide: negociar a apólice atual ou mudar de operadora.

Tomada a decisão, há ainda uma segunda etapa do processo de renovação. Considerando o perfil da empresa e orçamento pré-estabelecido, cerca de 30 dias depois haverá a apresentação do resultado da negociação com o plano atual ou o estudo de mercado.

Esta é a oportunidade de avaliar o que pode ser feito para controlar o aumento dos custos de saúde. Ao saber exatamente quais fatores influenciam essa subida, existem alternativas que podem ir à mesa para que, no fim, o reajuste aplicado seja satisfatório para todos os envolvidos.

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