A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a violência contra a mulher como uma das crises de direitos humanos mais persistentes e negligenciadas do mundo. Entre as diferentes manifestações, a violência doméstica segue como um desafio social que produz efeitos em diferentes dimensões, incluindo a vida profissional.
Segundo o Movimento Mulher 360, uma em cada cinco abstenções de mulheres no trabalho está relacionada a violência doméstica. O dado reforça o impacto do tema nas organizações e a importância da construção de ambientes preparados para acolher e oferecer suporte aos colaboradores.
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Violência doméstica: o impacto do absenteísmo no mercado de trabalho
Um estudo da Universidade Federal do Ceará estimou prejuízos de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano ao mercado de trabalho brasileiro em razão do absenteísmo associado à violência doméstica.
Além das ausências, outros comportamentos também merecem atenção e vão além dos indicadores econômicos, como:
- Choro constante;
- Isolamento;
- Alterações comportamentais;
- Desgaste emocional;
- Dores crônicas ou hematomas sem explicação convincente.
Esses sinais não confirmam uma situação de violência. Ainda assim, reconhecer que mudanças persistentes podem refletir situações de vulnerabilidade ajuda empresas a ampliar sua capacidade de prevenção e suporte.
A importância da construção de redes de apoio no ambiente corporativo
Em muitos casos, o ambiente corporativo representa um dos poucos espaços de segurança física e contato social fora do contexto doméstico.
Esse contexto destaca o potencial das organizações em criar redes de apoio, reduzindo barreiras para o pedido de ajuda por meio de iniciativas como:
- Canais seguros de escuta;
- Protocolos internos de acolhimento;
- Acesso a apoio psicológico;
- Capacitação de lideranças;
- Fluxos claros de encaminhamento.
Mais do que responder a situações críticas, essas medidas contribuem com a construção de uma cultura de cuidado e proteção.
Capacitação como estratégia de prevenção à violência doméstica
Nesse movimento de acolhimento, algumas iniciativas ajudam empresas a ampliar sua capacidade de resposta e prevenção.
Um exemplo é o AXA Safe Spaces, treinamento gratuito voltado à conscientização e capacitação sobre prevenção da violência doméstica e sexual.
Além de apoiar lideranças e colaboradores na identificação de sinais de vulnerabilidade, a iniciativa conecta os usuários ao Diretório Global NO MORE. A central reúne serviços de assistência em mais de 200 países, incluindo o Brasil, garantindo que a ajuda indicada seja profissional e adequada à localidade da vítima.
Ações integradas no apoio ao enfrentamento da violência doméstica
Quando ações de capacitação, políticas internas e benefícios de saúde e bem-estar atuam de forma integrada, empresas fortalecem sua capacidade de prevenção e contribuem para que o pedido de ajuda encontre caminhos acessíveis.
Embora nenhuma ferramenta seja capaz de resolver um problema estrutural, a informação e o acesso a auxílio especializado são maneiras fundamentais para ampliar o enfrentamento da violência doméstica.


